Elizangela De Bona
Meninas mostram que o preconceito é só
mais um adversário a ser driblado
As
mulheres estão conquistando cada vez mais espaço, e com o futebol não poderia
ser diferente. A modalidade vem crescendo e ganhando destaque. Em Braço do
Norte, aproximadamente 70 meninas representam o município por meio do Conselho
Municipal de Esportes (CME). As meninas são divididas em cinco categorias: sub
11, sub 14, sub 16, sub 18 e adulto.
De
acordo com o técnico da CME, Edenílson Valmor Hebert, o futsal feminino começou
por acaso no município. "Em 2005, quando eu dava aula em uma escola do
bairro União, tinha quatro meninas que jogavam bem e, como Braço do Norte não
tinha time feminino, elas jogavam por Rio Fortuna. Pensei então que se já tinha
quatro, com mais uma poderia eu formar um time. Liguei para o diretor de
esportes da época e perguntei se poderia inscrever as meninas na Olimpíada
Estudantil de Santa Catarina (Olesc) e ele apoiou. Desde então o feminino tem
tido destaque nas competições das quais participou", explica.
No
começo, as meninas eram selecionadas por meio de indicações. Atualmente a
seleção é feita na escolinha de futebol do próprio município. Lia Schlickmann de 17 anos é uma das representantes da
cidade. A jovem começou a jogar com 10 anos no moleque bom de bola e afirma que
o futebol é a sua paixão. "Não consigo viver sem jogar, o futebol é minha
alegria, uma das coisas que mais me faz feliz".
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| Foto: Lia Schlickmann |
Na cidade vizinha, São
Ludgero, o futsal feminino iniciou suas atividades em 2008. Segundo o técnico
de futsal Luiz Carlos Fracaro, aproximadamente 45 meninas treinam para representar
a cidade. As meninas são dividas em duas categorias: sub 13, com 30 meninas e
adultas, com 15 atletas. Entre elas está a auxiliar de analista de qualidade
Daniela de Araújo, de 21 anos. Daniela conta que joga desde pequena e que o
futebol representa muito em sua vida. "Desde que me conheço por gente jogo
futebol. É como uma paixão que nunca acaba. Futebol para mim é disciplina, por
meio do esporte aprendemos como trabalhar em equipe e aprendemos também a
respeitar as pessoas. Se eu tivesse oportunidade gostaria de viver de futebol”.
Conforme Hebert, as meninas
demonstram mais dedicação, o que torna o trabalho com o futsal femino mais
fácil. "Elas são mais unidas, mais compromissadas e mais dedicadas que os
meninos, o que facilita o trabalho. Claro que é preciso ter sensibilidade, mas
se eu tivesse que escolher entre o futsal feminino e o masculino, escolheria o
feminino", afirma.
Paixão que começa cedo
A paixão pelo futebol começa
cedo para algumas meninas. Joice Camilo, de 12 anos, começou a jogar em 2010, e
apesar da resistência inicial do pai, pretende continuar. "Me interessei
pelo futsal na escola, e entrei na escolinha por indicação de uma amiga. No
começo meu pai não queria que eu jogasse, com medo de que eu me machucasse, mas
agora ele se acostumou. "Eu mal sabia chutar uma bola quando entrei, acho
que já evolui bastante e quero continuar".
Com 10 anos, Isadora Lessa diz
que seus pais, que também jogam, sempre a apoiaram, mas que não teria problemas
em enfrentar dificuldades. "Gosto muito de jogar e dificuldades sempre tem
que enfrentar, seja lá o que você queira fazer, a gente tem que lutar pelo que
a gente gosta", afirma.
Fabíola Rinaldi, atualmente
com 15 anos, começou a jogar aos 8, e sonha em jogar profissionalmente.
"Meus pais me apoiam bastante, admiro muito a Marta e queria muito poder
um dia jogar profissionalmente".
Um drible
nas adversidades
Apesar do crescimento e de ser
cada vez mais comum, ainda há quem acredite que futebol não é coisa de menina.
"Eu estava na aula um dia e um professor foi convidar quem tivesse
interesse para jogar futebol depois da aula, quando eu disse que queria
participar ele ficou me olhando desconfiado, constrangido, acabei desistindo",
conta Lia Schlickmann.
"A gente sempre escuta
alguém dizendo que futebol não é coisa para meninas, dizendo coisas como 'sai
daí mané macho'. Sinto que muitas pessoas têm preconceito. Respeito a opinião
das pessoas, mas preconceito é ignorância", afirma Daniela de Araújo.
A atleta de
São Ludgero, Sulamita dos Santos Bento, conta que já teve problemas dentro de
casa por jogar futsal, o que atualmente não existe mais. "Meu marido não
gostava que eu jogasse, ficava chateado quando eu saia para jogar, só que com o
tempo ele foi conhecendo e se acostumando com a ideia. Hoje ele é o treinador
do time em que jogo, me acompanha sempre, jogo até mais animada", explica.
*Matéria publicada em agosto de 2011, na revista Meu SUL.
* Os dados relacionados ao futsal de Braço do Norte e São Ludgero, assim como as idades das atletas citadas estão desatualizados.
