Jovem fala sobre o acidente que mudou sua vida, da volta por cima e de
seus objetivos
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| Foto: Diego Mateus/Facebook |
Diego Mateus,
27 anos, era, assim como muitos outros jovens, um apaixonado por futebol.
Praticava o esporte quase todos os dias e trabalhava para iniciar o curso de
Educação Física. Porém, tudo mudou na vida do jovem no dia 25 de setembro de
2005. Neste dia, ao sair de uma festa, Diego sentou-se na garupa da moto de um
amigo, que, sem aviso prévio, arrancou e empinou a moto. Totalmente distraído,
o jovem caiu de ponta cabeça. Três vértebras da coluna cervical foram quebradas
e acabaram comprimindo a medula de Diego, que perdeu todos os movimentos do
corpo do pescoço para baixo. “Quando acordei no hospital, depois de 15 dias,
achei que estivesse tendo um pesadelo”, lembra.
Após passar
por uma cirurgia para a descompressão da medula e fixação das vértebras, o
jovem ainda teve infecção no pulmão esquerdo. Foram três meses respirando com a
ajuda de aparelhos, entre a vida e a morte na Unidade de Terapia Intensiva.
“Durante três meses fiquei na mesma posição, não conseguia falar por causa da
traqueostomia e só me alimentava através da sonda, colocada pelo nariz. Não
tinha noção de tempo e quase não dormia. Meu único conforto era Deus e a minha
família”, relata.
Três meses
depois, quando teve uma pequena melhora, o jovem saiu da UTI, mas ficou no
hospital por mais três meses. Só depois desse período é que voltou para casa.
“Posso dizer que tive três vidas. Uma antes do acidente, outra durante os seis
meses no hospital e outra depois que sai do hospital”.
A mobilização
Disposto a
lutar e com o auxílio de um mouse adaptado, o jovem decidiu iniciar, em janeiro
de 2014, uma campanha via Facebook, a fim de conseguir arrecadar dinheiro para
fazer uma cirurgia de autoenxerto de células estaminais da mucosa olfativa,
para recuperar movimentos, realizada em Portugal. Denominada Supera Diego, a campanha surtiu
efeito e a ajuda de que o jovem precisava começou a surgir. Em três meses de
campanha e três dias antes de realizar a cirurgia, Diego conseguiu arrecadar os
R$ 115 mil necessários. Pela determinação, o jovem ganhou do médico um desconto
de R$ 5 mil, que, de acordo com o jovem, foram usados para o pagamento dos
primeiros dias de fisioterapia. “Agradeço imensamente todas as pessoas que me
ajudaram”.
A nova vida
De acordo
com Diego, quando se está na situação em que ele se encontra, qualquer
movimento que se recupera é como se fosse a conquista de uma Copa do Mundo, e,
por isso, a luta continua. “A fisioterapia é fundamental agora e, por isso,
faço quatro horas de fisioterapia por dia”, comenta. Segundo Diego, somente
depois de três anos, aproximadamente, é que os resultados da cirurgia poderão ser
avaliados. “Isso não me impede de viver todos os dias intensamente”, afirma.
Na nova fase
de sua vida, Diego conta com uma ajuda pra lá de especial, a de sua esposa,
Cida. “Conheci ela no início da campanha. Ela sonhou comigo, me adicionou no
Facebook e veio me contar. A partir de então começamos a nos falar todos os
dias. Foi tudo muito lindo. Ainda é. A cada dia que passa temos mais certeza de
que fomos feitos um para o outro. Agradeço a Deus sempre por me dar alguém tão
especial, com que posso dividir minha vida”.
Ministrando palestras, Diego fala de superação
De acordo
com Diego, motivar as pessoas por meio de sua história é o objetivo das
palestras que vem ministrando. “Entrei em um mundo totalmente diferente do que
eu estava acostumado e me mergulhar nesse mundo me trouxe muita experiência de
vida. Sei que essa experiência vai motivar as pessoas a levar uma vida mais
intensa e a enfrentar os desafios”, explica.
Conforme
Diego, a experiência de palestrar tem sido bastante positiva. “Uma das coisas
que mais quero é ajudar as pessoas e as palestras estão me dando essa
oportunidade. Ver as pessoas vindo até mim e me agradecendo, dizendo que minha
história ajudou elas de alguma forma tem sido muito gratificante”.
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| Foto: Diego Mateus/Facebook |
Apesar dos percalços, felicidade
“Depois do
acidente que me deixou tetraplégico as pessoas falavam que eu iria ser um peso
para meus pais, que eu não teria uma vida feliz e construtiva. Hoje estou
casado, feliz e usando esse ‘fardo’ para ajudar as pessoas. Nada mal para quem
seria um peso”, comenta. “Nunca deixei alguém te desanimar dizendo, por
exemplo, que você não é capaz; Ninguém é perfeito, todos temos defeitos, assim
como muitas qualidades. A minha ‘limitação’ nunca me limitou a nada, o que nos
limita é a nossa mente. Acredite mais em você, nos seus valores, pois é isso
que vai fazer a diferença na sua vida. Sua cabeça é seu guia”, completa.
Como ajudar
De acordo
com Diego, o tratamento da lesão medular é longo e tem um custo bastante
elevado, por isso, toda ajuda é bem-vinda. Quer ajudar? Faça um depósito em
nome de Diego Mateus, na Caixa Econômica Federal, agência 3850, operação 013,
conta 1017-2, ou entre em contato pelo telefone, através do número 9995 – 9265.
Matéria publicada em janeiro de 2015, no jornal Cidade Notícias.


