sexta-feira, 8 de maio de 2015

A nova vida de Diego Mateus

Jovem fala sobre o acidente que mudou sua vida, da volta por cima e de seus objetivos

Foto: Diego Mateus/Facebook
Diego Mateus, 27 anos, era, assim como muitos outros jovens, um apaixonado por futebol. Praticava o esporte quase todos os dias e trabalhava para iniciar o curso de Educação Física. Porém, tudo mudou na vida do jovem no dia 25 de setembro de 2005. Neste dia, ao sair de uma festa, Diego sentou-se na garupa da moto de um amigo, que, sem aviso prévio, arrancou e empinou a moto. Totalmente distraído, o jovem caiu de ponta cabeça. Três vértebras da coluna cervical foram quebradas e acabaram comprimindo a medula de Diego, que perdeu todos os movimentos do corpo do pescoço para baixo. “Quando acordei no hospital, depois de 15 dias, achei que estivesse tendo um pesadelo”, lembra.

Após passar por uma cirurgia para a descompressão da medula e fixação das vértebras, o jovem ainda teve infecção no pulmão esquerdo. Foram três meses respirando com a ajuda de aparelhos, entre a vida e a morte na Unidade de Terapia Intensiva. “Durante três meses fiquei na mesma posição, não conseguia falar por causa da traqueostomia e só me alimentava através da sonda, colocada pelo nariz. Não tinha noção de tempo e quase não dormia. Meu único conforto era Deus e a minha família”, relata.

Três meses depois, quando teve uma pequena melhora, o jovem saiu da UTI, mas ficou no hospital por mais três meses. Só depois desse período é que voltou para casa. “Posso dizer que tive três vidas. Uma antes do acidente, outra durante os seis meses no hospital e outra depois que sai do hospital”.

A mobilização
 
Foto: Diego Mateus/Facebook
Disposto a lutar e com o auxílio de um mouse adaptado, o jovem decidiu iniciar, em janeiro de 2014, uma campanha via Facebook, a fim de conseguir arrecadar dinheiro para fazer uma cirurgia de autoenxerto de células estaminais da mucosa olfativa, para recuperar movimentos, realizada em Portugal.   Denominada Supera Diego, a campanha surtiu efeito e a ajuda de que o jovem precisava começou a surgir. Em três meses de campanha e três dias antes de realizar a cirurgia, Diego conseguiu arrecadar os R$ 115 mil necessários. Pela determinação, o jovem ganhou do médico um desconto de R$ 5 mil, que, de acordo com o jovem, foram usados para o pagamento dos primeiros dias de fisioterapia. “Agradeço imensamente todas as pessoas que me ajudaram”.

A nova vida

De acordo com Diego, quando se está na situação em que ele se encontra, qualquer movimento que se recupera é como se fosse a conquista de uma Copa do Mundo, e, por isso, a luta continua. “A fisioterapia é fundamental agora e, por isso, faço quatro horas de fisioterapia por dia”, comenta. Segundo Diego, somente depois de três anos, aproximadamente, é que os resultados da cirurgia poderão ser avaliados. “Isso não me impede de viver todos os dias intensamente”, afirma.

Na nova fase de sua vida, Diego conta com uma ajuda pra lá de especial, a de sua esposa, Cida. “Conheci ela no início da campanha. Ela sonhou comigo, me adicionou no Facebook e veio me contar. A partir de então começamos a nos falar todos os dias. Foi tudo muito lindo. Ainda é. A cada dia que passa temos mais certeza de que fomos feitos um para o outro. Agradeço a Deus sempre por me dar alguém tão especial, com que posso dividir minha vida”.

Ministrando palestras, Diego fala de superação

De acordo com Diego, motivar as pessoas por meio de sua história é o objetivo das palestras que vem ministrando. “Entrei em um mundo totalmente diferente do que eu estava acostumado e me mergulhar nesse mundo me trouxe muita experiência de vida. Sei que essa experiência vai motivar as pessoas a levar uma vida mais intensa e a enfrentar os desafios”, explica.

Conforme Diego, a experiência de palestrar tem sido bastante positiva. “Uma das coisas que mais quero é ajudar as pessoas e as palestras estão me dando essa oportunidade. Ver as pessoas vindo até mim e me agradecendo, dizendo que minha história ajudou elas de alguma forma tem sido muito gratificante”.

Foto: Diego Mateus/Facebook

Apesar dos percalços, felicidade

“Depois do acidente que me deixou tetraplégico as pessoas falavam que eu iria ser um peso para meus pais, que eu não teria uma vida feliz e construtiva. Hoje estou casado, feliz e usando esse ‘fardo’ para ajudar as pessoas. Nada mal para quem seria um peso”, comenta. “Nunca deixei alguém te desanimar dizendo, por exemplo, que você não é capaz; Ninguém é perfeito, todos temos defeitos, assim como muitas qualidades. A minha ‘limitação’ nunca me limitou a nada, o que nos limita é a nossa mente. Acredite mais em você, nos seus valores, pois é isso que vai fazer a diferença na sua vida. Sua cabeça é seu guia”, completa.


Como ajudar

De acordo com Diego, o tratamento da lesão medular é longo e tem um custo bastante elevado, por isso, toda ajuda é bem-vinda. Quer ajudar? Faça um depósito em nome de Diego Mateus, na Caixa Econômica Federal, agência 3850, operação 013, conta 1017-2, ou entre em contato pelo telefone, através do número 9995 – 9265.


Matéria publicada em janeiro de 2015, no jornal Cidade Notícias. 

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