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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Dislexia: pais devem estar atentos


Estimativa é de que a dislexia atinja de 10 a 15 % da população mundial

Pronunciar palavras longas ou complexas, aprender a ler, ler em voz alta, terminar tarefas ou provas dentro do tempo, soletrar palavras, decorar sequências. Essas são algumas das dificuldades de um disléxico. “Quando existe uma dificuldade inesperada na leitura e na escrita estamos diante de um quadro de dislexia. Quando falamos em uma dificuldade inesperada estamos diante de uma criança, ou adulto, que aparenta ter todos os requisitos necessários para ser um bom leitor; como inteligência, motivação, estímulo e acesso escolar, mas não consegue aprender a ler ou escrever”, explica o neuropediatra Jaime Lin.

A dislexia, conforme o neuropediatra é, ao mesmo tempo, familiar e hereditária. A história familiar é um dos fatores mais importantes, sendo que 23 a 49% das crianças que apresentam dislexia têm pais com o mesmo problema. “Uma grande expectativa se criou em torno de um possível gene relacionado à dislexia, o que possibilitaria um diagnóstico genético ou mesmo tratamento precoce, porém até o momento, esse gene não foi encontrado”, afirma Lin. Segundo o especialista, acredita-se que a dislexia seja um transtorno multifatorial associado a aspectos genéticos, portanto hereditários, fatores ambientais e aspectos de desenvolvimento neurológico.

Para obter um diagnóstico é preciso uma equipe multidisciplinar que realiza uma investigação detalhada, que analisa todas as possibilidades. A equipe deve ser formada basicamente por um fonoaudiólogo, um psicólogo, um psicopedagogo e um neurologista. Durante o processo também é muito importante a participação da escola e dos pais.

“Não existe uma fórmula milagrosa que cure a dislexia, ou um medicamento que solucione todos os problemas, mas existem tratamentos que apresentam grandes resultados e implicam trabalho árduo tanto para a criança como para a escola e para a família”, afirma a fonoaudióloga Tháicy Debiasi. De acordo com a especialista, por meio de diferentes técnicas e abordagens é possível “ensinar” o cérebro a desenvolver outros caminhos de processamento da leitura, diferente do usual.

Em geral, de acordo com o neuropediatra, uma criança com dislexia que não é adequadamente acompanhada e tratada manterá os sintomas e as dificuldades de leitura e escrita durante a vida adulta, portanto é preciso estar atento.

Como identificar uma criança disléxica?

Vários fatores chamam a atenção para um quadro de dislexia, porém o mais importante fator, conforme o neuropediatra Jaime Lin, é que a dislexia é um distúrbio restrito a leitura e escrita. Conheça alguns sinais que podem auxiliar no diagnóstico:

Haverá sempre

       Dificuldade na aprendizagem da leitura
       Dificuldade da linguagem e escrita
       Dificuldade na ortografia

Haverá às vezes

       Disgrafia, que pode ser entendido como letra feia.
       Dificuldade com matemática
       Dificuldade com memória e organização
       Dificuldade em seguir caminhos ou executar ordens complexas
       Dificuldade em compreender textos escritos
       Dificuldade para aprender uma segunda língua

Haverá ocasionalmente

       Dificuldade com a linguagem falada
       Falta de percepção espacial
       Confusão entre direita e esquerda

“Especificamente quando falamos de disgrafia podemos encontrar como sintomas da dislexia a confusão de letras com diferente orientação espacial (p/q e b/d), confusão de letras com sons semelhantes (b/p, d/t e g/j), inversão de sílabas, supressão ou adição de letras e dificuldade em separar sílabas”, explica Lin. Conforme o especialista, apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente um quadro de dislexia, há outros fatores há serem observados, porém de qualquer forma é um quadro que pede atenção e estimulação.

Matéria publicada em novembro de 2012, na revista Meu SUL.