Estimativa é de que a dislexia atinja de 10 a 15 % da população mundial
Pronunciar palavras longas
ou complexas, aprender a ler, ler em voz alta, terminar tarefas ou provas
dentro do tempo, soletrar palavras, decorar sequências. Essas são algumas das
dificuldades de um disléxico. “Quando existe uma dificuldade inesperada na
leitura e na escrita estamos diante de um quadro de dislexia. Quando falamos em
uma dificuldade inesperada estamos diante de uma criança, ou adulto, que
aparenta ter todos os requisitos necessários para ser um bom leitor; como
inteligência, motivação, estímulo e acesso escolar, mas não consegue aprender a
ler ou escrever”, explica o neuropediatra Jaime Lin.
A dislexia, conforme o
neuropediatra é, ao mesmo tempo, familiar e hereditária. A história familiar é
um dos fatores mais importantes, sendo que 23 a 49% das crianças que apresentam
dislexia têm pais com o mesmo problema. “Uma grande expectativa se criou em
torno de um possível gene relacionado à dislexia, o que possibilitaria um
diagnóstico genético ou mesmo tratamento precoce, porém até o momento, esse
gene não foi encontrado”, afirma Lin. Segundo o especialista, acredita-se que a
dislexia seja um transtorno multifatorial associado a aspectos genéticos,
portanto hereditários, fatores ambientais e aspectos de desenvolvimento
neurológico.
Para obter um diagnóstico
é preciso uma equipe multidisciplinar que realiza uma investigação detalhada,
que analisa todas as possibilidades. A equipe deve ser formada basicamente por
um fonoaudiólogo, um psicólogo, um psicopedagogo e um neurologista. Durante o
processo também é muito importante a participação da escola e dos pais.
“Não existe uma fórmula
milagrosa que cure a dislexia, ou um medicamento que solucione todos os
problemas, mas existem tratamentos que apresentam grandes resultados e implicam
trabalho árduo tanto para a criança como para a escola e para a família”,
afirma a fonoaudióloga Tháicy Debiasi. De acordo com a especialista, por meio
de diferentes técnicas e abordagens é possível “ensinar” o cérebro a
desenvolver outros caminhos de processamento da leitura, diferente do usual.
Em geral, de acordo com o
neuropediatra, uma criança com dislexia que não é adequadamente acompanhada e
tratada manterá os sintomas e as dificuldades de leitura e escrita durante a
vida adulta, portanto é preciso estar atento.
Como identificar uma criança disléxica?
Vários fatores chamam a
atenção para um quadro de dislexia, porém o mais importante fator, conforme o
neuropediatra Jaime Lin, é que a dislexia é um distúrbio restrito a leitura e
escrita. Conheça alguns sinais que podem auxiliar no diagnóstico:
Haverá sempre
• Dificuldade na
aprendizagem da leitura
• Dificuldade da linguagem e
escrita
• Dificuldade na ortografia
Haverá às vezes
• Disgrafia, que pode ser
entendido como letra feia.
• Dificuldade com matemática
• Dificuldade com memória e
organização
• Dificuldade em seguir
caminhos ou executar ordens complexas
• Dificuldade em compreender
textos escritos
• Dificuldade para aprender
uma segunda língua
Haverá ocasionalmente
• Dificuldade com a
linguagem falada
• Falta de percepção
espacial
• Confusão entre direita e
esquerda
“Especificamente quando
falamos de disgrafia podemos encontrar como sintomas da dislexia a confusão de
letras com diferente orientação espacial (p/q e b/d), confusão de letras com
sons semelhantes (b/p, d/t e g/j), inversão de sílabas, supressão ou adição de
letras e dificuldade em separar sílabas”, explica Lin. Conforme o especialista,
apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente um quadro de
dislexia, há outros fatores há serem observados, porém de qualquer forma é um
quadro que pede atenção e estimulação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário