Elizangela de Bona
Por meio
da dança, jovens lutam contra o preconceito e provam que, em meio a sapatilhas,
collant e sutileza, também existe masculinidade.
Sapatilha e collant. Acessórios que
fazem parte da vida de Maurício de Souza Brillinger, de Araranguá. O estudante,
de 20 anos, integrante da Companhia de Dança Núcleo Artístico Brillinger,
sempre gostou de dançar e, seguindo os passos da irmã, que já dançava, começou
a fazer balé clássico aos 15 anos. "O balé representa uma grande parte da
minha vida. É uma arte fenomenal, além da dança em si, ensina postura e
disciplina. Não consigo mais me desvincular dessa arte", afirma.
![]() |
| Foto: Maurício de Souza Brillinger |
Apesar do crescente número de meninos
que optam pelo balé, para Maurício, o preconceito ainda é muito presente.
"Não é difícil ouvir piadinhas do tipo, ' ah, balé é coisa de menininha, é
coisa de gay'”. Professora de balé, Heloísa Brillinger conta que já presenciou o
preconceito com seus alunos. "Uma vez um menino começou a fazer aulas de
balé, fez algumas apresentações e um mês depois os pais tiraram porque tinham
medo de que o menino se tornasse homossexual", conta.
Mas o preconceito com os homens na
dança nem sempre existiu. No início da história do balé, há cerca de 500 anos,
os homens faziam os papéis masculinos e femininos, não havendo assim, a
necessidade de bailarinas. Nas côrtes francesa e italiana, o papel da mulher na
dança era secundário, já que as saias compridas e com armações pesadas
dificultavam a participação feminina, sendo que elas, por sua condição física,
não tinham condições de realizar saltos ou movimentos que exigissem agilidade
com as pernas. Só em 1832, o balé La Syphide colocou uma bailarina em primeiro
plano.
![]() |
| Foto: Eder Vieira |
Professor de geografia, Eder Vieira
da Costa, 23 anos, também integrante do Núcleo Artístico Brillinger, pratica
balé desde os 17 anos. O jovem conta que começou a dançar por influencia de
amigos, e que apesar do preconceito, não pensa em parar. "É sempre mais
fácil falar do que não se conhece e poucas pessoas tem acesso a esse tipo de
cultura, por isso ignoro o preconceito. Me dedico totalmente ao balé,
independente das coisas que ouço", afirma.
* Matéria publicada em agosto de 2011, na revista Meu SUL.
* A idade dos entrevistados está desatualizada.


Nenhum comentário:
Postar um comentário