sexta-feira, 17 de abril de 2015

Um país apaixonado por cirurgia plástica

Elizangela De Bona

Brasil é o segundo no ranking mundial de cirurgia plástica com quase 1 milhão de cirurgias por ano. 


1 milhão. Esse é o número aproximado de cirurgias plásticas estéticas realizadas por ano no Brasil, só perde para os Estados Unidos. Porém, o país é o número um do ranking quando se trata de alguns procedimentos como a colocação de prótese no glúteo, o rejuvenescimento vaginal, chamada de cirurgia íntima e a otoplastia, que corrige as “orelhas de abano”. Os dados são da Sociedade Internacional de cirurgia Plástica (ISAPS, na sigla em inglês), de 2011.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, José Horácio Aboudib, em entrevista ao G1, o Brasil é pioneiro quando o assunto é cirurgia no bumbum. O número desse procedimento aumentou 367% nos últimos quatro anos, segundo a entidade.

O Brasil também o número um em relação ao aperfeiçoamento de novas técnicas e à qualificação dos profissionais conforme o portal Cirurgia Plástica. A lipoaspiração e o implante de prótese de mama são os procedimentos mais realizados no país. Já na região, a prótese de mamas é primeira colocada, seguida pela lipoaspiração e a mamoplastia segundo o cirurgião plástico Alexandre Alberton.

E se engana quem pensa que cirurgia plástica estética é coisa só de mulher, de acordo com o cirurgião, de 15% a 20% das cirurgias são realizadas em homens. As mais procuradas por eles são a cirurgia de “orelha de abano” e a lipoaspiração.

Quando o assunto são as cirurgias reparadoras, a mais realizada de acordo com o cirurgião é o procedimento para a remoção de tumores de pele, bastante comuns na região devido à intensa exposição ao sol, principalmente dos trabalhadores rurais.


Mas como proceder caso haja interesse de passar pelo procedimento? Como se preparar? Que cuidados tomar antes e depois da cirurgia? Para responder a essas e outras perguntas, a Revista Meu SUL conversou com o cirurgião plástico Alexandre Alberton, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que tem mais de 20 de experiência no ramo. Acompanhe!

Os tipos de cirurgia plástica

Há dois tipos de cirurgia plástica. A estética e a reparadora. De acordo com o cirurgião Alexandre Alberton, a cirurgia plástica estética tem o objetivo de promover melhorias na aparência. “Pode ser feita para corrigir deformidades de nascimento como as orelhas de abano ou para corrigir mamas flácidas que podem estar dificultando um relacionamento. Ela não atua para corrigir situações que causam alteração da função, mas sim para situações de ordem psicológica", explica.

Rosania Eising Borba.
Foto: Jonas Back/Revista Meu SUL.
A auxiliar de serviços gerais, Rosania Eising Borba, passou por uma cirurgia estética há três meses. Ela realizou o procedimento de redução de mamas. Rosania procurou o médico em virtude de fortes dores nas costas e o médico indicou a cirurgia. Ela afirma que o procedimento aumentou sua autoestima. “Amei o resultado, ficou perfeito. A diferença é muito grande, não sinto mais nenhum desconforto. Estou realizada”.

Já as cirurgias reparadoras, como o próprio nome já diz, servem para reparar algum defeito de nascença, como por exemplo, as “orelhas de abano”. O procedimento também é realizado em casos de acidente, onde as funções do organismo são prejudicadas. Em muitos casos, a cirurgia reparadora antecede uma estética conforme Alberton.

A técnica em radiologia Josimere Bagio voltava, com quatro amigas, de uma festa em Criciúma quando o carro em que ela estava foi atingido por um carro que fazia uma ultrapassagem perigosa. Com o impacto, Josi, como é conhecida, machucou o rosto. A pele da testa e da pálpebra foi arrancada. “Depois de alguns dias no hospital de Tubarão passei pela avaliação de vários médicos e foi decidido que seria feito um enxerto de pele em algumas regiões da lesão”, explica.

Josimere Bagio.
Foto: Jonas Back/Revista Meu SUL.
Desde então já foram três cirurgias. Todas de acordo com ela foram tranquilas e a jovem se diz contente com o resultado apesar de tudo. “Fiz o que pude por enquanto para ‘arrumar’ o estrago. Queria que ficasse como antes, mas já sei que não vou conseguir. De qualquer forma estou contente com o resultado. Estou fazendo sessões de laser para diminuir as cicatrizes também. São processos lentos. Continuo indo regularmente ao cirurgião mesmo depois de três anos. É preciso ter paciência”.

De acordo com o cirurgião plástico Alexandre Alberton, diferente das cirurgias reparadoras, as cirurgias estéticas geralmente são realizadas por vontade do paciente. “Seja por excesso de peso, nariz torto, mamas grandes, é um desejo da pessoa, ela que sente a necessidade de fazer. O médico só precisa ter o bom senso de avaliar se a cirurgia vai trazer o benefício esperado pela pessoa”, explica.

Quero fazer uma cirurgia plástica. Como devo proceder?

Para quem tem interesse em realizar alguma intervenção cirúrgica, deve saber que existe um protocolo a ser seguido. “O Conselho Federal de Medicina juntamente com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica criaram um protocolo informativo e compartilhado em Cirurgia Plástica que visa padronizar os procedimentos e evitar a desinformação dos pacientes. Aliado a esse protocolo, o paciente assina um Termo de Consentimento Informado, no qual ele declara estar ciente sobre as vantagens e desvantagens que decorram da cirurgia a ser realizada", explica o cirurgião.

É preciso ter cuidado também na hora de escolher um profissional. Procurar um profissional especializado que tenha boas referências é fundamental. Outra dica é tirar todas as dúvidas durante a consulta. "É importante também que seja feita uma avaliação do estado de saúde do paciente, pois a cirurgia plástica estética só deve ser realizada se o estado de saúde for bom, o que pode evitar várias complicações durante e após a cirurgia", afirma.

O que perguntar ao cirurgião?

Manter uma comunicação aberta com o profissional é o ideal.  Hoje, são 5 mil cirurgiões plásticos no Brasil. 160 só em Santa Catarina. Para fazer a escolha certa na hora de procurar um profissional e saber o que questionar, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica dá algumas dicas:

·         É membro ativo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica?
·         Foi treinado especificamente na área de cirurgia plástica?
·         Tem quantos anos de treinamento?
·         Em quais hospitais e clínicas atua?
·         Quantos procedimento desse tipo já realizou?
·         Esta cirurgia é adequada para mim?
·         Como e onde será realizada a cirurgia?
·         De quanto tempo é o período de recuperação? Que tipo de ajuda precisarei?
·         Quais são os riscos e complicações associadas ao procedimento?
·         Como as possíveis complicações serão contornadas?

Quais são os riscos de uma cirurgia plástica?
Alexandre Alberton, cirurgião plástico.
Foto: Jonas Back/Revista Meu SUL.

Segundo o cirurgião Alexandre Alberton, o maior risco sempre é a morte, porém, na classificação de risco cirúrgico, a cirurgia plástica, estatisticamente, é de uma morte para cada 52 mil cirurgias realizadas. “Se compararmos aos riscos do dia a dia o risco é mínimo. Viajar de carro é muito mais perigoso do que fazer uma cirurgia. Há 50 anos a cirurgia tinha muito mais risco, já que não havia a qualidade que se tem hoje em termos de medicação e anestésicos. A cirurgia plástica é uma das mais seguras”, afirma.

Cuidados no pré e pós-operatório

Cuidar da alimentação, evitar o uso de bebidas alcoólicas, evitar fumar e dependendo o tipo de medicação que toma é preciso parar. Um simples AS Infantil, por exemplo, pode causar transtorno, já que a cirurgia sangra mais que o normal. Esses são os cuidados básicos no pré-operatório conforme Alberton. Em alguns casos, segundo o médico, é preciso de alguns cuidados bucais e do uso de cremes hidratantes, mas isso o cirurgião deve explicar durante a consulta. Outra coisa indispensável é, em caso de uso de drogas, avisar o médico. “Essa informação pode salvar uma vida”, destaca Alberton.

No pós-operatório, a recomendação é o repouso, de um a dois meses, dependendo do procedimento. Cuidados específicos devem ser recomendados pelo cirurgião. Em caso de complicações no pós-operatório, a recomendação do especialista é de que o paciente procure a equipe que realizou o procedimento.

E se eu não gostar do resultado?

A cirurgia plástica é um procedimento que visa uma melhora em algum aspecto de alguma parte do corpo do paciente e assim como toda cirurgia está sujeita a complicações, o resultado também está sujeitos a insatisfação. Cabe ao cirurgião explicar o que pode ser feito em cada caso. “Na maioria das vezes em que ocorrem problemas desse tipo é porque não houve uma conversa adequada. O cirurgião precisa mostrar para a pessoa as possibilidades com base na anatomia da pessoa. A cirurgia plástica tem limites, não dá para prometer o que não se pode cumprir. Trabalhar com o psicológico da pessoa nesse sentido é a parte mais difícil”. Por esse motivo, é importante que o paciente tenha tirado todas as dúvidas antes de assinar o termo de compromisso.

Há contra-indicações para a realização de cirurgia plástica?

Pessoas com doenças cardíacas, pulmonares, metabólicas, diabéticos e doentes sistêmicos devem evitar a cirurgia estética. “Se o fim é estético não vale a pena correr o risco”, aconselha Alberton.

Depois de quanto tempo de implante de mamas posso realizar exames?

É preciso esperar no mínimo o tempo de cicatrização, que é de dois a três meses. Antes desse período não é aconselhável pressionar as mamas pois elas ainda estarão inchadas e pressioná-las pode provocar dor, mas se houver necessidade, não há problema.

Implante de mama prejudica o aleitamento?

A cirurgia de implante de mamas, de acordo com o especialista, é realizada atrás da glândula mamária. Ou seja, a glândula cresce na frente da prótese, portanto, não interfere de forma nenhuma no aleitamento, desde que a prótese esteja íntegra.

* Com informações dos sites:

Cirurgia Plástica
www.cirurgiaplastica.org.br

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
www.cirurgiaplastica.com.br

*Matéria publicada em junho de 2013, na revista Meu SUL.

*Algumas informações podem estar desatualizadas.

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