Brasil é o segundo no ranking mundial de cirurgia plástica com quase 1 milhão de cirurgias por ano.
1 milhão. Esse é o número aproximado de cirurgias plásticas estéticas realizadas por ano no Brasil, só perde para os Estados Unidos. Porém, o país é o número um do ranking quando se trata de alguns procedimentos como a colocação de prótese no glúteo, o rejuvenescimento vaginal, chamada de cirurgia íntima e a otoplastia, que corrige as “orelhas de abano”. Os dados são da Sociedade Internacional de cirurgia Plástica (ISAPS, na sigla em inglês), de 2011.
De acordo com o presidente da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, José Horácio Aboudib, em entrevista
ao G1, o Brasil é pioneiro quando o assunto é cirurgia no bumbum. O número
desse procedimento aumentou 367% nos últimos quatro anos, segundo a entidade.
O Brasil também o número um em
relação ao aperfeiçoamento de novas técnicas e à qualificação dos profissionais
conforme o portal Cirurgia Plástica. A lipoaspiração e o implante de prótese de
mama são os procedimentos mais realizados no país. Já na região, a prótese de
mamas é primeira colocada, seguida pela lipoaspiração e a mamoplastia segundo o
cirurgião plástico Alexandre Alberton.
E se engana quem pensa que cirurgia plástica estética é coisa só de
mulher, de acordo com o cirurgião, de 15% a 20% das cirurgias são realizadas em
homens. As mais procuradas por eles são a cirurgia de “orelha de abano” e a
lipoaspiração.
Quando o assunto são as cirurgias
reparadoras, a mais realizada de acordo com o cirurgião é o procedimento para a
remoção de tumores de pele, bastante comuns na região devido à intensa
exposição ao sol, principalmente dos trabalhadores rurais.
Mas como proceder caso haja
interesse de passar pelo procedimento? Como se preparar? Que cuidados tomar
antes e depois da cirurgia? Para responder a essas e outras perguntas, a Revista
Meu SUL conversou com o cirurgião plástico Alexandre Alberton, membro da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que tem mais de 20 de experiência no
ramo. Acompanhe!
Os tipos de cirurgia plástica
Há dois tipos de cirurgia plástica. A estética e a reparadora. De
acordo com o cirurgião Alexandre Alberton, a cirurgia plástica estética tem o objetivo
de promover melhorias na aparência. “Pode ser feita para corrigir deformidades
de nascimento como as orelhas de abano ou para corrigir mamas flácidas que
podem estar dificultando um relacionamento. Ela não atua para corrigir
situações que causam alteração da função, mas sim para situações de ordem
psicológica", explica.
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| Rosania Eising Borba. Foto: Jonas Back/Revista Meu SUL. |
A auxiliar de serviços gerais, Rosania Eising Borba, passou por uma
cirurgia estética há três meses. Ela realizou o procedimento de redução de
mamas. Rosania procurou o médico em virtude de fortes dores nas costas e o
médico indicou a cirurgia. Ela afirma que o procedimento aumentou sua
autoestima. “Amei o resultado, ficou perfeito. A diferença é muito grande, não
sinto mais nenhum desconforto. Estou realizada”.
Já as cirurgias
reparadoras, como o próprio nome já diz, servem para reparar algum defeito de
nascença, como por exemplo, as “orelhas de abano”. O procedimento também é
realizado em casos de acidente, onde as funções do organismo são prejudicadas.
Em muitos casos, a cirurgia reparadora antecede uma estética conforme Alberton.
A técnica em radiologia Josimere Bagio voltava, com quatro amigas, de
uma festa em Criciúma quando o carro em que ela estava foi atingido por um
carro que fazia uma ultrapassagem perigosa. Com o impacto, Josi, como é
conhecida, machucou o rosto. A pele da testa e da pálpebra foi arrancada.
“Depois de alguns dias no hospital de Tubarão passei pela avaliação de vários
médicos e foi decidido que seria feito um enxerto de pele em algumas regiões da
lesão”, explica.
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| Josimere Bagio. Foto: Jonas Back/Revista Meu SUL. |
Desde então já foram três cirurgias. Todas de acordo com ela foram
tranquilas e a jovem se diz contente com o resultado apesar de tudo. “Fiz o que
pude por enquanto para ‘arrumar’ o estrago. Queria que ficasse como antes, mas
já sei que não vou conseguir. De qualquer forma estou contente com o resultado.
Estou fazendo sessões de laser para diminuir as cicatrizes também. São
processos lentos. Continuo indo regularmente ao cirurgião mesmo depois de três
anos. É preciso ter paciência”.
De acordo com o cirurgião plástico Alexandre Alberton, diferente das
cirurgias reparadoras, as cirurgias estéticas geralmente são realizadas por
vontade do paciente. “Seja por excesso de peso, nariz torto, mamas grandes, é
um desejo da pessoa, ela que sente a necessidade de fazer. O médico só precisa
ter o bom senso de avaliar se a cirurgia vai trazer o benefício esperado pela
pessoa”, explica.
Quero fazer uma cirurgia plástica. Como devo proceder?
Para quem tem interesse em
realizar alguma intervenção cirúrgica, deve saber que existe um protocolo a ser
seguido. “O Conselho Federal de Medicina juntamente com a Sociedade Brasileira
de Cirurgia Plástica criaram um protocolo informativo e compartilhado em
Cirurgia Plástica que visa padronizar os procedimentos e evitar a desinformação
dos pacientes. Aliado a esse protocolo, o paciente assina um Termo de
Consentimento Informado, no qual ele declara estar ciente sobre as vantagens e
desvantagens que decorram da cirurgia a ser realizada", explica o
cirurgião.
É preciso ter cuidado também na
hora de escolher um profissional. Procurar um profissional especializado que
tenha boas referências é fundamental. Outra dica é tirar todas as dúvidas
durante a consulta. "É importante também que seja feita uma avaliação do
estado de saúde do paciente, pois a cirurgia plástica estética só deve ser
realizada se o estado de saúde for bom, o que pode evitar várias complicações
durante e após a cirurgia", afirma.
O que perguntar ao cirurgião?
Manter uma comunicação aberta com
o profissional é o ideal. Hoje, são 5
mil cirurgiões plásticos no Brasil. 160 só em Santa Catarina. Para fazer a
escolha certa na hora de procurar um profissional e saber o que questionar, a
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica dá algumas dicas:
·
É membro ativo da Sociedade Brasileira de Cirurgia
Plástica?
·
Foi treinado especificamente na área de cirurgia
plástica?
·
Tem quantos anos de treinamento?
·
Em quais hospitais e clínicas atua?
·
Quantos procedimento desse tipo já realizou?
·
Esta cirurgia é adequada para mim?
·
Como e onde será realizada a cirurgia?
·
De quanto tempo é o período de recuperação? Que
tipo de ajuda precisarei?
·
Quais são os riscos e complicações associadas ao
procedimento?
·
Como as possíveis complicações serão
contornadas?
Quais são os riscos de uma cirurgia plástica?
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| Alexandre Alberton, cirurgião plástico. Foto: Jonas Back/Revista Meu SUL. |
Segundo o cirurgião Alexandre
Alberton, o maior risco sempre é a morte, porém, na classificação de risco
cirúrgico, a cirurgia plástica, estatisticamente, é de uma morte para cada 52
mil cirurgias realizadas. “Se compararmos aos riscos do dia a dia o risco é
mínimo. Viajar de carro é muito mais perigoso do que fazer uma cirurgia. Há 50
anos a cirurgia tinha muito mais risco, já que não havia a qualidade que se tem
hoje em termos de medicação e anestésicos. A cirurgia plástica é uma das mais
seguras”, afirma.
Cuidados no pré e pós-operatório
Cuidar da alimentação, evitar o
uso de bebidas alcoólicas, evitar fumar e dependendo o tipo de medicação que toma
é preciso parar. Um simples AS Infantil, por exemplo, pode causar transtorno,
já que a cirurgia sangra mais que o normal. Esses são os cuidados básicos no
pré-operatório conforme Alberton. Em alguns casos, segundo o médico, é preciso
de alguns cuidados bucais e do uso de cremes hidratantes, mas isso o cirurgião
deve explicar durante a consulta. Outra coisa indispensável é, em caso de uso
de drogas, avisar o médico. “Essa informação pode salvar uma vida”, destaca
Alberton.
No pós-operatório, a recomendação
é o repouso, de um a dois meses, dependendo do procedimento. Cuidados específicos
devem ser recomendados pelo cirurgião. Em caso de complicações no pós-operatório,
a recomendação do especialista é de que o paciente procure a equipe que
realizou o procedimento.
E se eu não gostar do resultado?
A cirurgia plástica é um procedimento
que visa uma melhora em algum aspecto de alguma parte do corpo do paciente e
assim como toda cirurgia está sujeita a complicações, o resultado também está
sujeitos a insatisfação. Cabe ao cirurgião explicar o que pode ser feito em
cada caso. “Na maioria das vezes em que ocorrem problemas desse tipo é porque
não houve uma conversa adequada. O cirurgião precisa mostrar para a pessoa as
possibilidades com base na anatomia da pessoa. A cirurgia plástica tem limites,
não dá para prometer o que não se pode cumprir. Trabalhar com o psicológico da
pessoa nesse sentido é a parte mais difícil”. Por esse motivo, é importante que
o paciente tenha tirado todas as dúvidas antes de assinar o termo de
compromisso.
Há contra-indicações para a realização de cirurgia plástica?
Pessoas com doenças cardíacas,
pulmonares, metabólicas, diabéticos e doentes sistêmicos devem evitar a
cirurgia estética. “Se o fim é estético não vale a pena correr o risco”,
aconselha Alberton.
Depois de quanto tempo de implante de mamas posso realizar exames?
É preciso esperar no mínimo o
tempo de cicatrização, que é de dois a três meses. Antes desse período não é
aconselhável pressionar as mamas pois elas ainda estarão inchadas e
pressioná-las pode provocar dor, mas se houver necessidade, não há problema.
Implante de mama prejudica o aleitamento?
A cirurgia de implante de mamas,
de acordo com o especialista, é realizada atrás da glândula mamária. Ou seja, a
glândula cresce na frente da prótese, portanto, não interfere de forma nenhuma
no aleitamento, desde que a prótese esteja íntegra.
* Com informações dos sites:
Cirurgia Plástica
www.cirurgiaplastica.org.br
www.cirurgiaplastica.org.br
Sociedade Brasileira
de Cirurgia Plástica
www.cirurgiaplastica.com.br
www.cirurgiaplastica.com.br
*Matéria publicada em junho de 2013, na revista Meu SUL.
*Algumas informações podem estar desatualizadas.




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